Bobeou assistiu!

Os anúncios atacam usuários descuidados e dispersos. Tome cuidado para não ser a próxima vítima!

Hoje em dia as plataformas de anúncios em vídeos não se preocupam com ética ou estão alinhadas ao bom senso. Assim como os anunciantes não se importam em como seus conteúdos são divulgados dentro desses canais. Talvez isso sempre foi assim, mas nota-se que em algum momento de nossa era tudo isso se tornou algo tão trivial que o usuário final apenas aceita calado.

Se formos analisar esse modelo de negócio não faz sentido nenhum. Na teoria o anunciante está investindo em material para atingir ou definir seu público-alvo. Cria-se listas de usuários em potencial com características bem definidas e interesses em comum, a famosa segmentação de públicos e espera-se que esse conteúdo seja visualizado para gerar algum tipo de conversão. Para expandir a audiência, gerar engajamento ou vender um produto, uma campanha de anúncio em vídeo sempre tem um propósito.

Gasta-se tempo, dinheiro e recursos para bolar as melhores estratégias de campanha, para obter os melhores conteúdos visuais, tudo isso para que? Para esse material ser exibido durante um descuido do usuário! É basicamente assim que funciona, aos olhos da plataforma o anúncio só precisa rodar não importa como, quando e onde isso acontece. Existe alguém, que não tenha relação com a empresa ou que não faça parte da criação da campanha, que não queira pular o comercial?

O algorítimo é feito para atacar quem está descuidado, se você assistir “sem querer” um anúncio em vídeo, vem outro em seguida com maior duração. Qual é a lógica de colocar esse outro anúncio em sequência a não ser apenas gastar o investimento do anunciante? Não existe parceria nesse método, a plataforma age por conta própria com a conveniência de todos os lados.

Está claro que existe esta regra: “Se assistiu até o final, então mostre outro maior”. Não é levado em consideração a indisponibilidade do usuário. Imagine quantos anúncios são divulgados inteiros sem sequer ter a atenção de alguém. Se “você assistiu” o vídeo, vai ser promovido para a lista de usuários com potencial e vai consumir praticamente todos os anúncios dessa empresa (no próximo descuido).

Existe também a “visualização em segundo plano”, quando o vídeo é exibido em algum lugar da tela enquanto o usuário foca em outra coisa. As vezes o vídeo está tão encaixado no layout da página que o usuário nem liga e para que arriscar clicar em algum “elemento estranho”, quem é cuidadoso com a segurança na web sabe que a ação de clicar pode ser perigosa. O vídeo promocional começa e roda até o final. Enquanto o usuário nem faz ideia do que se trata, a campanha de vídeo do anunciante ganha uma conversão, os números positivos aparecem, a campanha segmenta o alvo para usuários parecidos (descuidados), a empresa de marketing cria gráficos exibindo os resultados, a empresa cliente investe mais dinheiro e a plataforma cresce exponencialmente.

Claro que o objetivo das plataformas é lucrar com esses investimentos, mas a forma de como isso foi implementado chega a ser imoral. Estamos tão acostumados com esse modelo que nem pensamos a respeito, simplesmente aceitamos. Enquanto você dormia eram implementadas pequenas táticas agressivas nos algorítimos, fomos aceitando, acostumando, até chegar onde chegou. São estratégias tão inteligentes que mexem com nosso subconsciente. De uma hora para outra começamos a ter hábitos diferentes, a consumir e gostar de conteúdos que parecem melhores e mais atuais, sem nem imaginar que tudo não passa de experimentos de sucesso das plataformas.

Muitas empresas de marketing carregam sua parcela de culpa nesse contexto usando e abusando de táticas agressivas, gerando ótimos números no papel e inflando resultados fabricados. Mas a responsabilidade de avaliar e gerenciar todo o conteúdo deveria ser exclusivamente das plataformas, enquanto houver omissão sobre esses temas, vão existir espaços para atacarem a experiência do usuário em prol da rentabilidade de alguns.

Para muitos assuntos hoje em dia vemos mais conteúdos em vídeo do que textos. O povo gostou da ideia de consumir imagens em movimento, são mais didáticas, existe uma conexão intrínseca com quem faz os vídeos. Essa relevância espontânea de conteúdos em vídeo não é por acaso, é muito mais rentável para as plataformas exibir propagandas em vídeo do que qualquer outro tipo de opção.

Com o passar dos anos as grandes plataformas deram muito mais relevância para conteúdos em vídeo, implementando as tecnologias mais modernas para exibi-los nas melhores posições de buscas, criaram as melhores ferramentas e recursos para os criadores e definiram todo o modelo de consumo de anúncios no marketing digital. Tudo isso para tirar o máximo dos investimentos dos anunciantes e enriquecer.